Home Noticias Benfica e Sporting unidos em insólita forma de protesto
Benfica e Sporting unidos em insólita forma de protesto
0

Benfica e Sporting unidos em insólita forma de protesto

0
0

Um número ainda indeterminado de equipas de Pool Português (Pool PT), a variante do bilhar mais praticada em Portugal, iniciaram na semana em curso os seus jogos da época 2017/18 jogando sob protesto e, no final, com os jogadores das duas equipas, como aconteceu no duelo entre Sporting e Benfica, a exibirem insólitas faixas com a mensagem «Exigimos respeito», endereçada à Federação Portuguesa de Bilhar (FPB).

Segundo A BOLA apurou, tal prende-se com a alteração do modelo competitivo de qualificação para as fases finais de Pool PT, anunciada pela FPB em setembro último (ou 31 de julho, segundo a FPB), alegadamente sem ter havido sequer período para sugestões ou alterações ao apresentado, ou sequer uma assembleia geral da instituição para debater o delicado tema, requisitada ao presidente da Mesa da Assembleia Geral da FPB, Hélder Jesus, a 16 de setembro do corrente ano, pelo número de delegados estipulado estatutariamente, e ainda sem resposta.

Na génese dos protestos, o novo modelo competitivo, que se propícia o aparecimento de maior número de equipas de distritos com menos equipas e praticantes federados nas fases finais – e uma maior paridade geográfica, no sentido nacional -, obriga a uma maior triagem desde logo nas qualificações, com os grandes centros urbanos, distritos mais populosos e com mais jogadores inscritos, a verem muitos jogadores ficarem pelo caminho prematuramente.

A título de exemplo, a alteração decidida – para os clubes, imposta unilarealmente – um mês antes do início das provas, em setembro, corta muitas equipas, clubes e jogadores que teriam lugar nas fases finais logo em fases preambulares da prova, para, advogam, premiar distritos e zonas de menor incidência do bilhar, mas nas quais equipas e jogadores que porventura, nos anteriores moldes (que tinham, o método de Hondt como critério) não chegariam tão longe, mas dando uma imagem mais abrangente e nacional da prova.

Jogadores e equipas que até aqui dificilmente chegariam às fases finais podem agora chegar mais longe, por estarem em distritos com menos clubes, e tirar lugar a equipas e jogadores que, por estarem em zonas de muitas coletividades, não chegam lá assim a verdade desportiva pode sair beliscada neste novo modelo – no fundo, o regresso ao sistema que vigorava até 2013, «um regresso ao passado» – defendem os contestatários, que ajuntam que não pode haver prémio para os que, por razões geográficas, saem beneficiados por terem o caminho mais facilitado.

A competição de apuramento promete ser muito mais renhida, a título de exemplo, no distrito do Porto, onde há 72 clubes (8 na 1.ª divisão, 16 na 2.ª e 48 na 3.ª): apenas terá 4 vagas na próxima fase final de Pool PT. Em 2016/17, foram 5.

No distrito de Lisboa, há 55 equipas, e só 4 passam a poder chegar às fases finais de Pool PT: foram 5 em 2016/17. Na inversa surge o distrito de Aveiro, que com 11 equipas na 1.ª divisão, passa a garantir mais vagas (4) na fase final de Pool PT.

’Vice’ demitiu-se e novo pedido de AG na forja para derrubar órgãos sociais da FPB

Na última quarta-feira, dia 11 do corrente mês, e por discordar das alterações e de não terem sido debatidas em AG, o vice-presidente João Almada apresentou ao presidente da FPB, Ricardo Salgado, e aos presidentes dos restantes órgãos sociais, a sua demissão. «É irrevogável», confirmou esta quinta-feira a A BOLA o dirigente demissionário.

Na forja está, face à inexistência de calendarização ou marcação (convocatória) da reunião magna reclamada pelos contestatários, a recolha de assinaturas de um número mínimo de delegados para a realização doutra AG da FPB, com um único ponto na ordem de trabalhos: a destituição dos órgãos sociais e da direção da FPB, presidida por Ricardo Salgado.

Ricardo Salgado: competência e paridade

O presidente da direção da FPB, Ricardo Salgado, contesta as alegações. «O novo método propícia uma maior equidade e paridade de equipas a nível nacional. É verdade que Lisboa e Porto perdem uma vaga nas fases finais, mas há maior representação de todos os distritos. E o argumento de que serão mais fracas nas fases finais as equipas de distritos com menos competidores, é ver os resultados que obtiveram nos últimos anos, sempre equilibrados», disse esta quinta-feira a A BOLA o dirigente.

Ricardo Salgado esbate o argumento da obrigatoriedade de convocação de uma AG para debater correções ou alterações ao novo modelo.

«A lei dá um mês para o fazerem. Os regulamentos foram publicados a 31 de julho, a convocatória chegou a 16 ou 19 de setembro, fora de prazo, portanto [terminaria a 31 de agosto]. A contestação cinge-se a Lisboa e Porto, que perdem uma vaga para as suas equipas. mas neste novo modelo, em vez de 44 ou 48 teremos pelo menos 56 equipas nas fases finais: 34 na 1.ª divisão, e ainda falta a Madeira, 13 na 2.ª e 8 na 3.ª divisão. De resto, a direção da FPB agiu no âmbito das suas competências, respeitou a lei», afirmou-nos o responsável máximo de uma federação com 2500 atletas inscritos, dos quais a grande maioria (1800 a 1900) são jogadores desta variante, Pool PT.

Os contestatários alegam que os novos regulamentos teriam sido aprovados a 31 de agosto e publicados apenas a 1 de setembro. «Não é verdade», responde o presidente da FPB. E quanto a uma AG e a um eventual pedido de destituição da sua parte ou dos restantes órgãos sociais, «sem comentários».

Snooker volta a Portugal

À margem da polémica instalada, e sobre outra variante do bilhar, o snooker no caso, Ricardo Salgado adiantou a A BOLA que «decorrem a bom ritmo, estão bem encaminhadas» as negociações com a World Snooker para Portugal receber uma prova do circuito profissional já na época 2018/19, e durante três temporadas, «em princípio em Lisboa», no pavilhão Carlos Lopes.

«Esperamos apenas que Fernando Medina seja empossado para avançar de forma decisiva com o processo», disse Ricardo Salgado ao nosso jornal. Ou seja, Portugal, depois do Lisbon Open em dezembro de 2014, terá uma prova pelo menos em 2018/19, 2019/20 e 2020/21, como de resto Barry Hearn, chairman da World Snooker, já deixara antever em maio em Sheffield, aquando do Campeonato do Mundo de Snooker.

Deixa o teu comentário

É Golo

Instalar App